O Estranho Mundo de Jack (no original em inglês: The Nightmare Before Christmas, mais tarde promovido como Tim Burton's The Nightmare Before Christmas) é um filme de animação norte-americano de 1993, dirigido por Henry Selick, produzido e co-escrito por Tim Burton. Conta a história de Jack Skellington da "Cidade do Halloween" que abre um portal para a "Cidade do Natal". Danny Elfman escreveu as músicas da banda sonora, desde da voz de Jack, bem como de outros personagens. O elenco de voz principal inclui Chris Sarandon, Catherine O'Hara, William Hickey, Ken Page e Glenn Shadix.
A génese do filme começa com um poema de Tim Burton como um animador da Disney no início dos anos de 1980. Com o sucesso de Vincent em 1982, a Disney começou a considerar O Estranho Mundo de Jack como um tema em curto ou como um especial de televisão em 30 minutos. Ao longo dos anos, as ideias de Burton regressaram novamente ao projecto, e em 1990, Burton e a Disney fizeram um acordo de desenvolvimento. A produção começou em Julho de 1991 em São Francisco. A Walt Disney Pictures decidiu lançar o filme sob nome da Touchstone Pictures devido ao pensamento que o resultado final seria "muito obscuro e assustador para as crianças".[3] Ao longo dos anos, tem sido visto como um sucesso crítico e financeiro, resultando num investimento pela Disney Digital na publicação em formato 3-D desde 2006.
A "Cidade do Halloween" é um mundo de sonho repleto de cidadãos, tais como monstros deformados, fantasmas, duendes, vampiros, lobisomens e bruxas. Jack Skellington ("O Rei das Abóboras") é o centro das atenções da celebração anual do Dia das Bruxas, no entanto sente-se farto de repetir todos os anos a mesma rotina. Vagueando pela floresta durante toda a noite, de madrugada encontra um círculo de árvores em que cada uma está uma figura diferente. Jack fica impressionado com a árvore de natal desenhada num dos elementos do círculo, e acidentalmente acaba por entrar na "Cidade do Natal". Impressionado com o sentimento e o estilo do Natal, Jack apresenta os seus resultados e sua compreensão da quadra festiva para os habitantes da "Cidade do Halloween". Sem que tenham uma percepção verdadeira do espírito natalício, os elementos da cidade compraram todos os objectos a cenas aterradoras e obscuras, como estão habituados. Percebendo que os cidadãos não compreendem o verdadeiro significado do natal, Jack decide cooperar e afirma "O Natal é nosso!".[4][5]
Cada residente recebe uma tarefa, enquanto Sally, uma boneca de trapos criada na cidade por um cientista louco que obsessivamente a impede de se relacionar com os outros habitantes da cidade, começa a sentir uma atracção romântica por Jack. No entanto, só ela teme que seus planos vão terminar de forma desastrosa. A obsessão do Rei das Abóboras com o Natal leva-o a raptar o Pai Natal, missão essa que fica encarregue a três crianças travessas que acabam por levar a figura de natal até ao Oogie Boogie, um bicho-papão que tenciona fazer da vida de Santa Claus um jogo de azar, passatempo habitual do monstro.[4][5]
A Véspera de Natal chega, e Sally tenta impedir Jack, mas ele embarca para o céu em um caixão como trenó puxado por renas esqueléticas, guiadas pelo nariz brilhante de seu cão fantasma Zero. Ele começa a entregar presentes a crianças ao redor do mundo, mas os presentes (cabeças encolhidas, cobras enroladas em árvores de Natal, entre outras figuras horrendas) apenas aterrorizam os destinatários. Acreditando que Jack é um impostor tentando imitar o Pai Natal, os militares entram em alerta e acabam por atingir o esqueleto. O trenó é abatido e ele é dado como morto pelos cidadãos da "Cidade do Halloween". Desiludido e desapontado pelo fracasso do seu plano, Jack acaba por consciencializar o seu erro, afirmando que tem novas ideias para o Dia das Bruxas do ano seguinte e que tem de salvar o natal.[6][5]
Enquanto isso, Sally tenta resgatar o Santa Claus, mas é capturada por Oogie. Jack infiltra-se no covil e liberta-os, confrontado o bicho-papão, vencendo-o no final. Santa acaba por repreender o esqueleto, embora no fim espalhe neve na "Cidade do Halloween" como sinal de agradecimento e sem ressentimentos pelos habitantes. Na cena final, Jack revela que se sente atraído por Sally também, e beijam-se sob a lua cheia no cemitério.[6][5]
Paul Reubens, O'Hara, e Elfman também providenciam as vozes de Lock, Shock, e Barrel.[10] Reubens também trabalhou anteriormente com Burton no filme Pee-wee's Big Adventure em 1985.[11] Elfman também protagoniza a voz de "Clown with the Tear-Away Face".[10] O elenco também inclui o comediante Greg Proops de Whose Line is it Anyway? que caracteriza a voz de várias personagens.[10]
Tim Burton escreveu um poema de três páginas intitulado The Nightmare Before Christmas quando ele era um animador da Walt Disney Animation Studios, no início da década de 1980. A inspiração de Burton reflectiu-se através dos especiais de televisão Rudolph the Red-Nosed Reindeer, How the Grinch Stole Christmas! e do poema A Visit from St. Nicholas.[12] Com o sucesso de Vicent em 1982, a Disney começou a considerar O Estranho Mundo de Jack como qualquer uma curta-metragem ou um especial de televisão com duração de 30 minutos para a quadra. Rick Heinrichs e Burton criaram o conceito de arte e da história, com Heinrichs também na modelação das personagens.[13] "Naquela época, eu teria feito qualquer coisa para retirar o projecto", explicou Burton. "Havia muita conversa de qualquer um curta-metragem, como foi o caso de Vincent ou um especial de TV, mas não deu em nada. Também quis ter Vincent Price como narrador". Burton mostrou Henry Selick, que também era um animador da Disney no início da década de 1980, o material que ele e Heinrichs desenvolveram.[14]
Ao longo dos anos, os pensamentos de Burton retornaram regularmente para o projecto. Em 1990, Burton descobriu que a Disney ainda detinha os direitos do filme, e os dois estavam empenhados em produzir um longa-metragem com Selick como director.[14] A Disney estava ansiosa para produzir as imagens, "mostrar as capacidades de realizações técnicas e histórias que estavam presentes no Who Framed Roger Rabbit."[15] O Estranho Mundo de Jack marcou o terceiro filme de Burton para ter uma configuração de Natal. Tim não poderia dirigir devido ao seu compromisso com Batman Returns, e o produtor não queria estar envolvido num "género de filme em stop motion".[14] Para adaptar o seu poema num roteiro, Burton recrutou Michael McDowell, colaborador em Beetlejuice. Devido às diferenças criativas entre McDowell e Tim, Burton ficou convencido em produzir um filme como musical com letras e composições pelo colaborador frequente Danny Elfman. Elfman e Burton criaram uma história áspera e dois terços das músicas do filme,[1] enquanto que Selick e sua equipa de animadores começaram a produção em Julho de 1991 em São Francisco[14] com uma constituição de 200 trabalhadores[16] Joe Ranft trabalhou como artista de direcção da história, enquanto Paul Berry foi contratado como supervisor de animação.[3]
Elfman encarou a tarefa da composição das dez músicas para o filme como "uma das tarefas mais fáceis" que já teve. "Tinha muito em comum com o Jack Skellington.[13] Caroline Thompson, foi contratada para escrever o roteiro.[1] Com o roteiro de Thompson, Selick afirmou, "há poucas linhas de diálogo que visivelmente foram escritas por Caroline. Estava ocupada com outros filmes, e teve constantemente que reescrever, reconfigurar e desenvolver a configuração visual do filme"[17] O trabalho de Ray Harryhausen, Ladislas Starevich, Edward Gorey, Charles Addams, Jan Lenica, Francis Bacon e Wassily Kandinsky influenciou os cineastas. Selick descreveu o design de produção como semelhante a um livro pop-up.[17][13] Além disso, Selick declarou: "Quando se chega à "Cidade do Halloween", é completamente expressionismo alemão. Quando Jack entra na "Cidade do Natal", é uma escandalosamente agradável. Finalmente, quando Jack está entregando presentes no "mundo real", tudo é puro, simples e perfeitamente alinhado".[18]
Sobre a direção do filme, Selick reflectiu: "É como se ele [Burton] tivesse posto um ovo, e eu me sentei e choquei. Ele não se envolveu como nos seus outros trabalhos, mas a sua mão está na mesma. Era o meu trabalho, tornar o projecto como "um filme de Tim Burton", que não é tão diferente dos meus próprios filmes".[17] Quando perguntado sobre o envolvimento de Burton, Selick afirmou: "Eu não quero tirar créditos ao Tim, mas ele não estava em São Francisco, quando nós fizemos isto. Veio umas cinco vezes mais de dois anos, e passou mais de oito ou dez dias no total".[17] Walt Disney Animation Studios contribuiu com algum uso de animação tradicional.[14] A participação de Tim Burton acabou por ser um pouco díficil devido aos projectos paralelos em que estava envolvido.[1]
Os cineastas construíram 227 bonecos para representar as personagens do filme, com Jack Skellington a possuir "cerca de quatro centenas de cabeças", permitindo a expressão de todas as emoções possíveis.[19] Os movimentos da boca de Sally "foram animados através do método de substituição. Durante o processo de animação, [...] só a 'máscara' da cara da boneca foi removida, a fim de preservar a ordem dos seus longos cabelos vermelhos. Tinha dez tipos de faces, cada uma formada com uma série de onze expressões (por exemplo, os olhos abertos e fechados, e várias poses faciais) e os movimentos da boca sincronizados".[20]
Os responsáveis pela concessão realizaram uma extensa campanha de marketing das personagens em vários tipos de média. Além do Haunted Mansion Holiday na Disneyland com personagens do filme,[21] em que Jack Skellington, Sally, e o prefeito foram transformados em figuras,[22][23] Além disso, Sally foi ainda redesenhada em forma de figura de acção e de traje para o Dia das Bruxas.[24] Jack também é a personagem principal na história "Tim Burton's The Nightmare Before Christmas: Jack's story."[25]
Curiosamente, Jim Edwards, afirma na verdade que o "filme de animação de Tim Burton, The Nightmare Before Christmas é realmente um filme sobre o negócio de marketing da personagem principal, Jack Skellington, o director de marketing para uma empresa bem sucedida decide que esse seu sucesso é chato e que quer um plano de negócios diferentes.[26]
O álbum da banda sonora do filme foi lançada em 1993 pela Walt Disney Records. Para o relaçamento de 2006 em Disney Digital 3-D, foi lançada outra edição especial, contendo um disco de bónus com cinco versões das canções por artistas como Fall Out Boy, Panic! at the Disco, Marilyn Manson, Fiona Apple e She Wants Revenge. Também foram incluidas seis faixas demo por Elfman.[27] A 30 de Setembro de 2008, a Disney decidiu editar Nightmare Revisited, um disco de versões alternativas às originais.[28]
A banda de rock gótico London After Midnight inclui no seu álbum de 1998, Oddities uma versão da canção "Sally's Song".[29]
Oscar 1994 (EUA)
Prêmio Saturno 1994 (Academy of Science Fiction, Fantasy & Horror Films, EUA)
Globo de Ouro 1994 (EUA)